IGTBa - INSTITUTO DE GESTALT TERAPIA DA BAHIA



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= MEMÓRIAS DO IGTBA: Módulo residencial da turma 6 =




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MEMORIAS DO IGTBA - SÁBADO GESTÁLTICO














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Resumo:

O USO DO EXPERIMENTO COMO RECURSO TERAPÊUTICO.



Lika Queiroz


Um facilitador ou terapeuta criativo é um artesão disciplinado cujo dom é saber tocar o potencial mais profundo do seu cliente, ajudando-o a desvelar-se com a linguagem que lhe seja possível naquele momento. O terapeuta deve ter o domínio técnico do uso não apenas da linguagem verbal, como das linguagens onírica, artística, corporal e das imagens mentais, para poder fluir com o cliente, criando o experimento que naturalmente o leve ao encontro de si mesmo.

Um experimento ou técnica é uma ação intencional do terapeuta, um convite ao cliente se experienciar em um contexto de segurança, objetivando o dar-se conta de como ele, cliente,está funcionando, seus conflitos e recursos, a ampliação de suas fronteiras de contato, o descobrir novas possibilidades de comportamento. Como diz Joel Latner, “ A importância dos experimentos está em como eles nos permitem examinar o que fazemos e descobrir o que não faremos”.(2004)

Utilizando os vários recursos expressivos, o terapeuta deve saber qual o experimento é mais adequado para aquele cliente naquele momento, naquele contexto, e como conduzi-lo; é este “timing” que possibilita a “mágica” da terapia. A natureza do experimento depende da problemática do cliente, do seu suporte egóico, do nível de energia disponível tanto do cliente como do terapeuta, do repertório de experiências de vida de ambos, do que está sendo experienciado no aqui e agora, das possibilidades do setting terapêutico, do tempo disponível da sessão e do domínio técnico do recurso.

Os experimentos usados na gestalt terapia são: a) Representar - dramatização dentro do cenário terapêutico de algum aspecto da existência do cliente; b) Cadeira vazia – colocar em uma cadeira ou almofada a pessoa ou aspecto e falar diretamente com o mesmo, geralmente vem acompanhado da técnica da Inversão de Papeis; c) Direcionar comportamentos – sugerir comportamentos específicos com um objetivo exploratório; d) Contínuo de awareness – acompanhar o fluxo da consciência; e) Fantasia – trabalho com imagens mentais, imaginação; f) Sonhos; g) Trabalhos com desenho, pintura, argila, colagem, sucata; h) trabalhos de consciência corporal, enraizamento, respiração e movimento; i) Exercícios de semântica – troca ou repetição de palavras na frase, trocas de tempo de verbo, do sujeito da oração j) Caixa de areia k) Dever de casa- ampliação do trabalho no setting terapêutico para experiências na vida real entre as sessões psicoterápicas.

O terapeuta não pode esquecer que um experimento não é uma ordem a ser cumprida, é uma proposta que pode ou não ser aceita. Para iniciar um experimento faz-se mister localizar onde está a energia do cliente, criar um chão para o trabalho ajudando-o a focalizar a atenção para si, e que a consigna seja clara e faça sentido; ir acompanhando o desdobrar do processo facilitando a focalização da awareness e da energia em direção ao desenvolvimento de um tema, de forma que a awareness do paciente ocorra em um crescendo; é uma experiência eminentemente criativa onde o momento seguinte é determinado pelo que está se desenrolando no agora. O experimento vai sendo construído de forma que o cliente possa ir desenvolvendo o suporte necessário para enfrentar seus medos, dissolver suas resistências e ir encontrando suas próprias respostas e caminhos.

“ ...ser terapeuta... colecionar pedaços de fios de histórias... fazendo a mágica de transmutar tudo, até mesmo o feio, o escuro, o descartado e o doloroso, em uma tapeçaria inigualável, de singular beleza... Resignificando a história... Pontinho por pontinho...” (Juliano,1999)

Palavras-chave:Experimento, Gestalt terapia, Recursos técnicos.
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NOVIDADES: "Gestalt Terapeutas da Bahia"

Gestaltistas bahianos (e baianizados),

Estamos montando uma página para cadastrar os gestalt terapeutas que atuam no estado da Bahia, em seus mais diversos campos de atuação e nos diversos municípios, para facilitar assim o acesso do público a nossos serviços.

Solicitamos que mandem seus dados atualizados para incluirmos em nossa mala direta e na página.

O dados são os seguintes:

NOME COMPLETO (e APELIDO):
CRP ou CREMEB:
TELEFONE COMERCIAL:
ENDEREÇO COMERCIAL:
CELULAR:
TELEFONE RESIDENCIAL (não será divulgado, só para mantermos na mala direta)
ÁREAS DE ATUAÇÃO:
BREVE CURRICULO (Máximo 5 linhas): Graduação (Universidade, Ano), Pós graduações, Mestrado, Doutorado, Instituições em que atua, etc.
ANO DE CONCLUSÃO DA FORMAÇÃO EM GESTALT (só para eu ter uma noção de qual é a turma original de formação):
INSTITUIÇÃO EM QUE REALIZOU A FORMAÇÃO: IGTBa, outros... (idem do item acima)

Solicitamos também, para quem queira ter sua imagem divulgada, que mande também uma foto de rosto.

Esses dados deverão ser enviados para os e-mails gestaltbahia@gmail.com e lfcalaca@gmail.com.

Cordialmente,

Luiz Fernando Calaça.

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= Memórias do IGTBa =

SÁBADOS GESTALTICOS:
Gestalt e Contracultura: Crítica Social e Poesia (Luiz Fernando Calaça)













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MEMÓRIAS DO IGTBa

= Módulo Residencial da Turma 5 =












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MEMÓRIAS DO IGTBa

= Comemoração pela apresentação de monografias da Turma 4 =



Banquete dionosíaco!


Gestáltistas reunidos


Tim-tim!!!


Comemoração especial pela formatura de Luiz Fernando


Vira-vira!




Brinde e comilança.


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ARTIGO:

O JOGO DE AREIA NA ABORDAGEM GESTÁLTICA:
UMA PROPOSTA DE EXPERIMENTO.


Lika Queiroz

O Jogo de Areia é um recurso terapêutico onde os clientes criam cenas ou representações abstratas em uma caixa rasa, cheia até a metade de areia, utilizando água, miniaturas e materiais diversos, como palitos de picolé, retalhos, conchas, pedras, contas etc. - tudo o que possa reproduzir de forma real ou simbólica o seu momento existencial. Utilizando uma linguagem pré-verbal, imagética, o Jogo de Areia pode acessar níveis muito profundos do cliente, conteúdos regressivos, memórias primordiais.

O Jogo de Areia tem como precursor as pinturas na areia usadas nos rituais de cura pelos índios Navaho nos Estados Unidos. Em 1929, inspirada no livro “Floor games”, de H.G.Wells, a psiquiatra freudiana inglesa Margaret Lowenfeld cria o “World technique” e, em 1935, publica o livro “World Techniques: Play in Childhood”. Em 1956, uma analista junguiana suíça, Dora M. Kalff, vai a Londres estudar com Lowenfeld e, retornando à Suíça, desenvolve seu método de terapia na caixa de areia, inicialmente aplicado com crianças e depois, sob a influência de Erich Neumann, estendido aos adultos. Membro do Certified group Therapists, Dora Kalff fez formação em Gestalt-terapia com Erv e Miriam Polster, e tanto ela como outros terapeutas do Jogo de Areia, como Alan Penny, Bárbara Labovitz e Anna Goodwin comentam que esta técnica complementa e tem interfaces com “...muitas abordagens diferentes. Gestalt, visualização, psicodrama, trabalhos corporais, reestruturação cognitiva, arte terapia....”(Labovitz & Goodwin, 2000, p.6)

Retangular, medindo 72 X 50 X 7,5cm, com o seu lado interno revestido de plástico ou metal, com fundo azul claro, a caixa de areia é uma gestalt que se torna figura, podendo ser apreendida pelo campo visual do cliente. Este campo delimitado representa um espaço livre e protegido, com um efeito focalizador e contenedor, para que ele possa manifestar, com segurança, o seu vivido. Toda a construção da realidade no mundo tridimensional em que vivemos se dá através das formas geométricas. Como na forma geométrica se tem o princípio primário da manifestação da matéria, a caixa de areia funciona como um campo facilitador da expressão do universo interno da pessoa ou grupo que está sendo trabalhado. Além disso, no retângulo, tem-se a diferença entre a latitude e longitude, duas dimensões maiores e duas menores, cantos, tornando a espacialização mais rica e possibilitando a idéia de início e fim, desdobramento, caminho.

Outro aspecto contenedor para a expressão do cliente são as miniaturas e materiais disponíveis,

“Enquanto se está livre para criar aquilo que se deseja, o número de miniaturas, embora extenso, é ainda finito, de modo que a fantasia do paciente é mantida em limites seguros”. (Weinrib, 1993, p.37)

São utilizadas miniaturas, as mais diversificadas possíveis, de figuras humanas de raças, nacionalidades, faixas etárias, profissões, posições e expressões, figuras mitológicas e religiosas. personagens históricos, da mídia, de histórias, super-heróis, animais, objetos em geral, habitações, mobílias, plantas, meios de transportes, acidentes geográficos, natureza, tecnologia. Por serem imagens tridimensionais, as miniaturas são uma linguagem em si, onde o processo projetivo é muito mais potente por serem uma representação mais concreta e viva da realidade do cliente. Ao olhar para as estantes de miniaturas, as imagens o chamam. Naquele universo de possibilidades ele sempre encontrará algo simbólico ou não que expresse o que ele está sentindo, vivendo naquele momento. Cada elemento é uma gestalt em si, um aspecto do cliente que está ali manifesto, e, por sua vez, uma parte do todo maior que é a cena.

No momento em que o cliente começa a construir algo na caixa de areia, do fundo indiferenciado, do vazio fértil, algo começa a se diferenciar, uma figura começa a se formar e, à medida que ele vai selecionando as miniaturas e criando uma cena, a figura hierarquizada vai se tornando mais nítida É um recurso não verbal, onde tanto o cliente pode estar discriminando, escolhendo objetos e alienando outros para se expressar - um modo de self funcionando como ego - e momentos onde ele se sente chamado e vai pegando os objetos em uma entrega espontânea, irrefletida, em um modo de self funcionando como id, dando-se conta do que acontece só ao olhar para a cena já formada.
Quando a cena está montada, aquela gestalt muitas vezes o confronta com o não dito, o não visto, situações inacabadas, polaridades a serem integradas, fronteiras a serem delimitadas ou ampliadas. O terapeuta não interfere neste processo, pois o que foi trazido é aquilo que o cliente tem suporte interno para manifestar.

A linguagem das miniaturas, por ser concreta, é acessível a qualquer cliente, não há nenhuma contra-indicação para a utilização do recurso do Jogo de Areia. As miniaturas e a areia remetem ao lúdico, à criança. Este aspecto lúdico propicia uma abertura para a dimensão sensório afetiva, criativa, espontânea.

Além das miniaturas, há a areia em si: a areia é neutra, tem uma textura própria, é solta, maleável, trazendo a possibilidade do movimento, da moldagem, do desmanchar. Muitas vezes, o cliente nem usa as miniaturas, representa o seu vivido utilizando a areia ou areia e água.

No campo, a figura é o cliente, a caixa de areia e as miniaturas, enquanto o terapeuta é fundo, ficando silenciosamente a uma pequena distância, observando e acompanhando como o cliente lida com as miniaturas, com a caixa, dando sustentação ao cliente com sua presença confirmadora. O processo se dá sozinho na própria relação do cliente com a caixa de areia e as miniaturas. O que importa é como aqueles objetos e a areia estão organizados em uma totalidade significativa para o cliente, e o que cada coisa e a cena em si representa para ele. O cliente pode fazer todo o processo em silêncio e só relatar ao final do trabalho, ou comentar algo enquanto vai montando. Nesse caso o terapeuta, quando necessário, pode intervir convidando o cliente a criar diálogos entre os elementos e personagens na cena, pedir que o cliente vá dando vida à cena, enquanto a vai relatando, acrescentar elementos que vão surgindo ao longo do trabalho. Podemos dizer que a caixa de areia funciona como um objeto transacional para o cliente, substituindo, em termos, o terapeuta.

Embora, para os junguianos, “ a imagem na areia será desfeita pelo analista depois da sessão”(Ammann, 2002, p. 24), eu peço que o cliente desmanche a cena e guarde o material utilizado de volta na estante. A existência é em si impermanência, um eterno vir a ser. Ao construir uma cena, o cliente está abrindo uma gestalt onde algo já se moveu, onde a situação e a cena já foram resignificadas, mesmo que tal gestalt ainda não tenha sido fechada como temática ou situação existencial.. Desmanchar o cenário é simbólicamente estar experienciando a possibilidade da destruição daquela gestalt, apropriando-se do que se moveu, não ficando fixado em padrões antigos. A imagem que fica é do campo indiferenciado da areia alisada, a partir do qual um novo começo pode ser escolhido. Mesmo quando na sessão seguinte o cliente quer dar continuidade ao assunto trabalhando com o Jogo de Areia, sua representação da situação já traz elementos novos, ele já não é mais o mesmo.
O Jogo de Areia é um recurso muito poderoso, onde a cena dialoga com o cliente e no qual, em uma dança sutil, ele é tocado. Como diz Buber, “fazer é criar, inventar é encontrar. Dar forma é descobrir. Ao realizar eu descubro.” (Buber, 1979, p.12)

Referências Bibliográficas:

- AMMANN, Ruth. A Terapia do Jogo de Areia. São Paulo: Paulus, 2002.

- BOIK, Barbara Labovitz & GOODWIN, Anna. Sandplay Therapy: A Step-by-Step Manual for Psychotherapists of Diverse Orientation. New York: W.W. Norton, 2000.

- BUBER, Martin. Eu e Tu. São Paulo: Cortez & Moraes, 1979.

- WEINRIB, Estelle. Imagens do Self: o processo terapêutico na caixa-de-areia. São Paulo: Summus, 1993.

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NOTÍCIA



Acaba de ser lançado o CDGB - Centro de Documentação da Gestalt-Terapia Brasileira, sob a coordenação geral do gestalt-terapeuta e Marcelo Pinheiro. O Centro de Documentação utiliza uma estrutura de portal de revistas virtuais, abrigando atualmente duas revistas já disponíveis para o acesso público e uma terceira ainda em preparação para tal.

Atualmente as revistas que estão disponíveis ao acesso são: Congressos e Encontros Nacionais da Gestalt-Terapia Brasileira e a Árvore Genealógica da Gestalt-Terapia Brasileira.

Na primeira pode ser encontrada toda a lista de atividades desenvolvidas no XI Encontro e VIII Congresso Nacional de Gestalt-terapia com 19 vídeos de mesas redondas, 4 vídeos de mini-cursos, 4 vídeos de fóruns interativos, 2 cursos e 1 vídeo da abertura, além de resumos, propostas de trabalho e também artigos que nos foram enviados por alguns palestrantes como complemento aos trabalhos apresentados neste evento.

Na segunda revista temos o início da constituição da árvore genealógica da Gestalt-terapia brasileira, que traz uma série de vídeos de entrevistas com as primeiras gerações das pessoas que têm construído a história de sta abordagem no Brasil. Tudo isso disponível para ser assistido gratuitamente de sua própria casa. A terceira revista que ainda não está disponível é a que trata dos encontros estaduais desta abordagem realizados no Estado do Rio de Janeiro.

O acervo do CDGB atualmente conta com mais de 130 vídeos, compostos aproximadamente por: 30 vídeos de mini-cursos, 37 vídeos de mesas redondas, 6 vídeos de fóruns interativos, 13 entrevistas nacionais, 2 entrevistas internacionais, 2 cursos, 1 conferência, 20 palestras, 11 temas livres, 6 Workshops.

Parabenizamos o Walter Pinheiro e sua equipe de colaboradores por mais essa iniciativa, que se soma à revista virtual IGTnaREDE, contando que ambos projetos tenham continuidade e sirvam de estimulo para a divulgação e propagação da produção desenvolvida pelos gestalt-terapeutas de todo o Brasil, nacional e internacionalmente.

Vale ressaltar que no CDGB consta videos e resumos dos apresentações realizadas por gestalt-terapeutas do IGTBa - Lika Queiroz, Aline Campos, Dafne Suit e Luiz Fernando Calaça -, apresentados no XI Encontro e VIII Congresso Nacional de Gestalt-terapia. Vale a pena conferir!

O QUE: Centro de Documentação da Gestalt-Terapia Brasileira
ONDE: http://www.cdgb.igt.psc.br

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